Cantinho LiterárioPOESIA: ENTRE SORVETES E SILÊNCIOS

POESIA: ENTRE SORVETES E SILÊNCIOS

POESIA: ENTRE SORVETES E SILÊNCIOS

Para Liete, com amor!

Na praça de Cacoal, a tarde cai,
O tempo passa lento, quase em vão,
Num banco simples, o mundo sai,
E fica só o pulso do coração.

Ela caminha leve, sem falar,
Ele observa, aprende o olhar,
O vento passa só pra provocar,
Folhas dançam livres pelo ar.

Sorvetes chegam, cores na mão,
Sabores se misturam devagar,
O doce escorre sem direção,
Mas o afeto insiste em ficar.

Passos curtos riscam o chão,
Batidas calmas no mesmo tom,
Nada pede mais atenção,
Do que o amor que é tão bom.

Conversas soltas, sem roteiro,
Palavras vão, silêncio vem,
O simples vira verdadeiro,
Quando é sentido também.

O sol se inclina no final do dia,
O céu aprende a se pintar,
A tarde pede que ainda fique,
Como quem não quer se acabar.

Ela sorri sem precisar dizer,
Ele entende sem perguntar,
O silêncio aprende a responder,
Quando o amor resolve falar.

Mãos se encontram sem pensar,
Sem medo algum de segurar,
O mundo corre sem esperar,
Eles escolhem só ficar.

A praça guarda o que existiu,
Nada grande aconteceu,
Mas tudo ali já construiu,
O que o tempo prometeu.

O sorvete acaba, fica o sabor,
Doce igual ao lembrar,
Memória simples vira amor,
Que insiste em ficar.

Árvores veem o tempo passar,
E o que não quer terminar,
Passos lentos sabem marcar,
Sintonia no caminhar.

Cacoal assiste florescer,
Um jeito simples de ser,
Na praça nasce o perceber:
Estar junto já é viver.

Moiseis Oliveira da Paixão



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