Cantinho LiterárioPOESIA: Amor na estrada da roça

POESIA: Amor na estrada da roça

Amor na estrada da roça

Na roça simples ela vivia,
Com olhos cheios de esperança,
Na lida mansa do dia a dia,
Guardava sonhos de bonança,
Mas algo novo ali surgia,
No peito brotava uma lembrança.

Certo dia o ônibus passou,
Cortando a estrada de poeira,
E pela janela alguém olhou,
Com jeito doce, sem barreira,
Foi quando o coração pulsou,
Como água viva na cachoeira.

Era o cobrador tão gentil,
Com um sorriso encantador,
No seu olhar havia um fio,
De um sentimento sonhador,
E naquele instante tão sutil,
Nascia ali um grande amor.

Toda manhã ela ia esperar,
Perto da queda d’água clara,
Via o ônibus se aproximar,
Com emoção que não se para,
E ele sempre a procurar,
Com um olhar que a declarava.

A cachoeira era testemunha,
Daquele amor em construção,
E a moça ali tão pura e risonha,
Sentia forte a emoção,
Pois mesmo sem dizer palavra,
Já se entendiam pelo coração.

Quando a tardinha ia chegando,
E o sol se punha no horizonte,
Ela ficava ali esperando,
Até surgir lá no monte,
O ônibus vinha se aproximando,
Trazendo o amor de fronte.

Da janela do seu quarto então,
Ela sorria iluminada,
E ele retribuía a emoção,
Mesmo na estrada apressada,
E assim crescia a união,
Em cada troca de olhada.

A semana passou bem depressa,
Mas o domingo chegou devagar,
Era o melhor dia da semana,
Pois era o dia de encontrar,
E juntos andando no cafezal,
De mãos dadas a sonhar.

Entre o verde e o cheiro do café,
Conversavam com alegria,
Ela dizia que tinha fé,
Que aquilo não acabaria,
E ele firme, como quem quer,
Um amor que se eterniza um dia.

E quando a noite enfim caía,
Iam juntos para a oração,
Na igrejinha que os acolhia,
Consagravam a união,
Pois o amor que ali nascia,
Tinha Deus no coração.

Moiseis Oliveira da Paixão



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