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Denúncias levam Conselho Federal de Medicina a abrir investigação sobre saúde de Bolsonaro

 

Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu, nesta quarta-feira, 7, instaurar uma sindicância para apurar as condições do atendimento médico oferecido ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A condução do procedimento ficará a cargo do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), designado formalmente pela autarquia.

A iniciativa segue o Código de Processo Ético-Profissional da categoria e foi tomada após o recebimento de  formais que, segundo o CFM, “expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada” ao ex-presidente.

Queda, traumatismo e avaliação médica

O episódio que motivou a reação institucional ocorreu na madrugada de terça-feira, 6, quando Bolsonaro passou mal, caiu dentro da cela e bateu a cabeça em um móvel na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. De acordo com o médico Cláudio Birolini, responsável pelo acompanhamento clínico, o ex-presidente sofreu um traumatismo craniano leve.

Diante do quadro, o CFM afirmou que a situação clínica demanda monitoramento contínuo e atendimento por equipes médicas de múltiplas especialidades, considerando o histórico de saúde do paciente.

Autonomia médica é enfatizada pelo CFM

Na manifestação oficial, o conselho destacou que cabe exclusivamente ao médico assistente definir a conduta terapêutica adequada. Segundo a nota, “a autonomia do médico assistente deve ser soberana”, acrescentando que essa decisão “não pode sofrer influência de qualquer natureza, por possuir presunção da verdade”.

O posicionamento reforça que eventuais interferências externas não devem se sobrepor à avaliação técnica do profissional responsável pelo atendimento.

Abertura formal de sindicância

Com base nas normas legais e éticas que regem a profissão, o CFM determinou ao CRM-DF a imediata instauração de sindicância para apurar os fatos relacionados à assistência médica prestada a Bolsonaro. O objetivo é verificar se os procedimentos adotados seguiram os parâmetros exigidos pela legislação e pela ética médica.

Nota oficial do Conselho Federal de Medicina

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o CFM detalhou os motivos da decisão. Eis a íntegra da nota:

“O Conselho Federal de Medicina (CFM), no estrito cumprimento de suas atribuições legais, manifesta-se sobre a condição de saúde do ex-Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

O recebimento formal de denúncias protocoladas no CFM expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada ao paciente. Além disso, declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira.

Os relatos de crises agudas de características diversas, episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços intratáveis, e outras comorbidades em paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento contínuo e imediato, em que deve ser assegurada assistência médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro, inclusive em situações de urgência e emergência.

O CFM reafirma que a autonomia do médico assistente deve ser soberana na determinação da conduta terapêutica, não podendo sofrer influência de qualquer natureza, por possuir presunção de verdade.

Em obediência ao disciplinado em lei e ao Código de Processo Ético-Profissional, o CFM determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, a imediata instauração de sindicância para apuração dos fatos.

Brasília, 7 de janeiro de 2026.

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