Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Lula vence em todos os cenários em possíveis segundos turnos; único que dá “calor” no presidente é Tarcísio; No estado, ser “bolsonarista” não significa eleito ou reeleito

Incertezas
Passada a euforia/festa de alguns pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e choro/vigília de outros, a pergunta que não queria calar: qual será o futuro político da família dele? Michele, Flávio, Eduardo (o foragido/deputado virtual), Carlos e Renan tentam disputar o espólio político do pai.
Incertezas 2
Primeiro, Michele se colocou como primeira opção, com a inegibilidade (antes da prisão). Mas acabou sendo preterida pelo próprio marido, e depois, pelo 01, Flávio. Depois, chegaram a cogitar o governador de São Paulo (carioca), Tarcísio de Freitas. Aí Eduardo (mais conhecido como bananinha) pulou de lá e disse que seria ele o ungido do pai.
Incertezas 3
Correndo por fora, vários “representantes” da direita: Ronaldo Caiado (União Brasil, governador de Goiás), Romeu Zema (Novo, governador de Minas) e Ratinho Júnior (PSD, governador do Paraná). O problema é que essa turma não percebe que gente demais para um bolo, acaba com a fatia menor e ninguém se satisfaz. Além de ninguém querer ser vice.
Confusão
Recentemente, Michele fez a maior fuzuê ao discursar em um evento no Ceará ao saber que Ciro Gomes teria se aproximado da direita para uma aliança no estado. Lembrando que Cirão teria dito em um podcast que a família Bolsonaro era ladra de dinheiro público. Basta procurar aí na internet que aparece fácil.
Confusão 2
Flávio, Carlos e Renan procuraram o pai para saber se Michele tinha tido o aval do pai para tecer as críticas. Conversa vai, conversa vem. Boatos aparecem, dizendo que os filhos teriam brigado com a madrasta. Porém, a conversa que ficou como oficial foi que Flávio pediu desculpas a Michele pelas críticas públicas que fez a ela.
Ungido
Já na sexta-feira (05), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter sido escolhido pelo pai para ser o candidato do PL à Presidência da República em 2026. “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, declarou Flávio em uma rede social.

Ungido 2
Segundo aliados de Flávio, Jair Bolsonaro externou o desejo em conversas com o filho, que também foi escolhido para representá-lo politicamente durante a prisão. Flávio visitou o pai na última terça (02), na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Apoio de longe
Terceiro filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também chegou a se colocar como pré-candidato ao Planalto, afirmou a aliados que apoia “100%” a candidatura do irmão à Presidência.
Impacto
E parece que o mercado não aceitou muito bem o anúncio da candidatura de Flavinho para a Presidência. O dólar fechou em alta de mais de 2% na sexta-feira (05), cotado em R$ 5,4328, no maior valor em quase dois meses. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal positivo visto pela manhã e fechou aos 157.369 pontos, com uma queda de 4,31% — a maior desde fevereiro de 2021, quando a bolsa recuou 4,87%.
Impacto 2
Em um dia que tinha tudo para ser guiado pelos dados de inflação nos Estados Unidos, Brasília acabou tomando o centro das atenções. A sinalização de que Flávio Bolsonaro pode disputar a Presidência em 2026 provocou uma reação imediata nos mercados: dólar disparou e o Ibovespa caiu.
Impacto 3
A possibilidade de substituição de Jair Bolsonaro pelo filho, Flávio Bolsonaro, frustrou expectativas de uma chapa Tarcísio–Michelle, considerada mais competitiva e unificadora da direita. A revisão desse arranjo redesenhou o humor dos investidores e afetou os mercados.
Impacto 4
A sinalização de uma candidatura de Flávio foi mal recebida no mercado financeiro. A leitura predominante é que essa mudança pode fragmentar a base bolsonarista e aumentar a incerteza sobre o cenário eleitoral.
Desânimo
Dando uma passada aqui e acolá nos grupos de WhatsApp de Rondônia em que participo, as reações ao anúncio da candidatura de Flavinho chocolate foi mais ou menos igual a prisão do pai: alguns comemorando, outros se lamentando. Com a diferença de que os “bolsonaristas raiz”, jogaram a toalha.
Desânimo 2
Um deles escreveu assim: “Os filhos de Bolsonaro são os maiores cabos eleitorais do Lula. Se essa candidatura se manter, Lula será reeleito no primeiro turno. O único nome competitivo da direita é o Tarcísio”, disparou um deles.
Otimismo
Já um outro, um pouco mais apaixonado, resolveu demonstrar maior apoio ao nome do senador carioca: “Eu confio no capitão. Flávio vai para o segundo turno e aí será outra história. Vai ter meu voto sim”.
Otimismo 2
Em um outro grupo, um apoiador de Lula publicou um print onde Caiado anunciou que vai manter pré-candidatura à Presidência, mesmo com a formalização de Flávio. “Esse sim tem chance e tem meu voto. Acho que ele é o candidato mais viável da direita nesse momento”, pontuou ele.
Cenário local
Conforme já escrevi por aqui, diante do medo de alguns podres “aparecerem” e as pesquisas apontarem estar em quarto ou quinto lugar, Marcos Rocha provavelmente não irá se candidatar ao Senado. Essa é a probabilidade hoje. Mas amanhã pode mudar. Como dizia Ulysses Guimarães: “Política, é igual nuvem: um dia ela está de um jeito, outro dia de outro”.

Cenário local 2
Essa semana, saiu uma pesquisa em um site bastante acessado de Rondônia, que aponta bons índices de Marcos Rogério ao governo e de Fernando Máximo ao Senado. Sinceramente, na minha humilde opinião, com tantas incertezas na direita brasileira, acho melhor a turma ir com calma em tantas especulações.
Cenário local 3
Apesar de ser um estado bolsonarista em 2022, muita gente já está saturada dessa polarização ou briga entre Lula e Bolsonaro. Já vi muitas pessoas menos radicais (ainda temos muitas que preferem dar a vida pelo ex-presidente), que queriam um nome da terceira via, seja no cenário nacional ou local. Isso não vai acontecer por um bom tempo.
Cenário local 4
Quem se dá bem nessa história toda é quem estiver caminhando mais ao centro ou à esquerda, que tem mais ou menos 30% dos votos fiéis. E ainda se somam a estes os que estão cansados de tanto radicalismo ou briga. Aí em escolho um nome em especial: Confúcio Moura, que deve concorrer à reeleição no Senado.
Cenário local 5
Excluindo a abstenção (falta à votação) que gira entre 20 a 25% dos votantes em todo o estado, a direita rondoniense teria que disputar votos de pelo menos a metade dos eleitores. Sobram nomes de “amigos” do Bolsonaro e faltam vagas pra todo mundo. Aí temos Silvia Cristina, Marcos Rogério, Fernando Máximo, Bruno Scheid, Marcos Rocha e outros.
Cenário local 6
E só para refrescar a memória da turma: Marcos Rogério chegou a ser vice-líder do governo Dilma (sendo do PDT, partido de centro-esquerda). Silvia Cristina foi eleita também pelo PDT. E incrivelmente ambos agora são de partidos de direita, pura e simplesmente. Resta saber se mudaram de ideologia ou só por conveniência ou oportunismo. A resposta é com eles.

Cenário local 7
Tem Bruno Scheid, cuja mãe “emprestou” cheque pro atual secretário-chefe da Casa Civil, Elias Rezende, cuja ligação foi descoberta por uma delegada, exonerada dias depois de mandar o inquérito para a Justiça. E temos os que fazem onda como o sargento Pincel, digo, coronel Chrisóstomo, que virou o “engraçadão” da CPMI do INSS, com suas gracinhas fora de hora.
Cenário local 8
A bancada ainda é complementada com Thiago Flores (que é do MDB, mas flerta muito com a direita), Maurício Carvalho (União Brasil), Cristiane Lopes (União Brasil), Rafael Fera (Podemos), Lúcio Mosquini (MDB). Acho que a turma que gosta de fazer gracinhas para as redes sociais já pode começar a repensar as estratégias para 2026. Só uma dica…
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