BOCA MALDITACOLUNA BOCA MALDITA -  ENTRE TAPAS E BEIJOS

COLUNA BOCA MALDITA –  ENTRE TAPAS E BEIJOS

Política & Cotidiano  ·  06 Abr. 2026

Domingo de Páscoa

O fim de semana foi marcado por eventos voltados para o encerramento do período da quaresma e a realização de ritos religiosos relacionados com a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Então, chegamos ao domingo de Páscoa, que significa para todos os cristãos uma nova vida, um tempo de reflexão, um momento de trabalhar pela paz. Assim, e considerando que vivemos tempos difíceis, é importante lembrar que cabe a todos os cristãos de verdade pregar a empatia, o amor, a solidariedade e outros princípios e valores que são necessários para viver em harmonia.

A Páscoa simboliza a ressurreição de Jesus Cristo, significa viver todos os dias buscando a harmonia. Em Rondônia, não há nenhuma dúvida de que precisamos de tempos de paz, por vários motivos. Um dos motivos que nos obriga a viver a ressurreição e a reflexão está no fato de que nosso estado está no topo da lista entre os estados que praticam a violência contra a mulher, o feminicídio cresce de forma alarmante em Rondônia.

Esse tipo de crime tão hediondo não pode acontecer e não pode crescer num dos estados com as maiores proporções de cristãos do país. Todos os cristãos de Rondônia, independentemente da doutrina que professam, precisam lutar contra a violência e lutar pela proteção das mulheres de nosso estado. O período da quaresma e este domingo de Páscoa não podem ser uma mera formalidade doutrinária, é preciso que todos gritemos contra a violência em nosso estado. É preciso que todos nós preguemos a paz, a Páscoa.

Renúncia de Fúria

Na última quinta-feira, 2 de abril, a Câmara Municipal de Cacoal realizou uma sessão para formalizar a renúncia do prefeito Adailton Antunes Ferreira. Ele renunciou ao mandato para seguir seu projeto político voltado para a pré-campanha ao cargo de governador do estado. Adailton Fúria é um dos prefeitos mais populares de Rondônia e foi escolhido pelo governador Marcos Rocha como seu pré-candidato favorito. Claro que muitas coisas ainda vão acontecer neste cenário das eleições e cada fato pode criar mudanças significativas no jogo da disputa. A pré-campanha de Adailton Fúria ao governo tem como principais articuladores o ex-deputado federal Expedito Júnior e o governador Marcos Rocha.

Mesmo com toda a movimentação dentro do grupo ligado ao governo, até este momento, nenhum nome foi apresentado como possível vice na chapa de Adailton Fúria, como também o grupo não anunciou seus pré-candidatos ao Senado Federal.

Na solenidade em que renunciou ao cargo de prefeito de Cacoal, Adailton Fúria não fez nenhuma menção a nomes que poderiam compor chapa e se limitou a falar sobre sua administração em Cacoal. Como os bastidores políticos funcionam 24 horas, em anos de eleições, claro que algumas informações circulam, mas muitas vezes são apenas boatos ou especulações. Algumas informações de bastidores chegaram a citar como possível vice o chefe da Casa Civil de Rondônia, Elias Resende. Mas o nome dele não consta na lista de pessoas do primeiro escalão que deixaram o cargo até a última publicação do Diário Oficial.

Marcos Rocha

Ao decidir apoiar o nome do ex-prefeito de Cacoal, o governador colocou uma pá de cal na pré-candidatura do vice-governador Sérgio Gonçalves, que sonhava disputar o cargo. Um dos maiores problemas para o projeto de Sérgio Gonçalves é que ele esperava por uma renúncia de Marcos Rocha, o que não aconteceu até hoje. Como não é conhecido do público rondoniense, o único caminho viável para Sérgio Gonçalves seria assumir a titularidade do cargo e, mesmo assim, não seria uma missão nada fácil, já que nomes muito conhecidos estão na lista de prováveis candidatos ao governo.

Marcos Rocha decidiu permanecer no cargo e, ainda que renunciasse, dificilmente apoiaria Sérgio Gonçalves, já que eles vivem uma relação turbulenta há vários meses. Em mais de uma oportunidade, o governador acusou seu vice de ser um traidor e disse que não tem nenhuma confiança nele. Em um acordo que fechou em São Paulo, Marcos Rocha assumiu o PSD de Rondônia e já trabalha na pré-campanha do ex-prefeito de Cacoal.

A permanência do governador no cargo não inviabiliza somente o projeto de seu vice, mas também enterra o projeto de candidatura da primeira-dama, Luana Rocha e de Sandro Rocha, irmão do governador. Eles ficam inelegíveis, por força da legislação, já que a Constituição Federal impede candidaturas de parentes de chefes do executivo. Quanto ao vice-governador, ele pode seguir seu projeto de disputar o governo, mas não terá o apoio da máquina do estado.

Desincompatibilização Eleitoral

O sábado de aleluia marcou o fim da janela partidária prevista pela legislação eleitoral, período em que os políticos com mandatos de deputado podem mudar de partido sem risco de perda do mandato. O dia 4 de abril também é o prazo final para a desincompatibilização de diversas categorias de agentes públicos que desejam disputar as eleições deste ano, entre eles os prefeitos, secretários municipais, secretários de estado e outros.

Em Rondônia, diversos prefeitos chegaram a anunciar que pretendiam disputar as eleições, caso do prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro. Entretanto, ele desistiu de participar das eleições e anunciou que vai ficar no cargo. Muitas pessoas imaginam que vereadores e deputados precisam se afastar de seus cargos para disputar as eleições, mas isto não procede.

Os vereadores, deputados estaduais e federais não precisam deixar seus cargos e podem disputar qualquer outro cargo que desejarem.

Algumas pessoas imaginam, ainda, que os prefeitos que renunciam para disputar eleições podem voltar ao mandato depois de outubro, mas isso também não procede. Exatamente por isso, nem todos os prefeitos de Rondônia têm interesse em participar do processo eleitoral, na condição de candidatos. A legislação prevê também outros prazos menores para a desincompatibilização, mas os prazos menores envolvem apenas agentes públicos de escalões menores.

Prefeitos de Rondônia

Na lista dos prefeitos do estado de Rondônia que eram cotados para disputar as eleições deste ano, estão Jurandir de Oliveira, de Santa Luzia; Aldo Júlio, de Rolim de Moura; Marcelo Brasileiro, de Nova Mamoré; Carla Redano, de Ariquemes; e Flori Cordeiro, de Vilhena. Todos eles eram cogitados por vários analistas políticos do estado e por seus aliados como prováveis candidatos a deputado estadual ou federal em outubro. No caso de Flori Cordeiro, ele havia anunciado que seria candidato ao governo.

Até o fim da tarde de sábado, porém, nenhum deles havia renunciado ao mandato. Os prefeitos que desejam disputar eleição para deputado são obrigados pela legislação eleitoral a deixar os cargos até o dia 4 de abril. No caso de prefeitos como Carla Redano, Marcélio Brasileiro, Flori Cordeiro e Aldo Júlio, caso entrassem na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa ou Câmara Federal, poderiam ser fortes candidatos, já que administram municípios com populações maiores no interior do estado e possuem boas relações políticas em cidades vizinhas.

Entretanto, eles decidiram permanecer nos cargos e agora serão muito assediados como cabos eleitorais. A prefeita de Ariquemes, Carla Redano, certamente teve uma conversa com seu esposo, o deputado estadual Alex Redano, e devem ter entrado num acordo de família, já que o deputado é presidente da Assembleia Legislativa e possivelmente tem outros compromissos que não envolvem uma candidatura de sua esposa este ano.

Doação de Campanha

Nessa confusão toda do cenário político de Rondônia, uma informação que circulou e gerou polêmica envolve o partido Democrata Cristão (DC). Segundo uma publicação do jornal eletrônico Rondônia Agora, com sede na capital, Edinei Lima, que assumiu o comando estadual do DC, teria prometido investir 5 milhões de reais na campanha deste ano, com recursos do próprio bolso. A polêmica aconteceu, porque ele é servidor público do Poder Judiciário e dificilmente teria condições de fazer esse tipo de investimento.

Caso a promessa tenha acontecido mesmo, para investir 5 milhões de reais do seu bolso, o servidor público Edinei Lima precisaria ter uma remuneração de aproximadamente 4,5 milhões por mês. Isto porque a legislação eleitoral permite que uma pessoa faça doações de campanha, mas o valor é limitado a 10% da renda da pessoa no ano anterior. No caso de servidores públicos, é muito difícil acreditar que uma doação com este valor seria possível.

O grande problema na história é que Edinei Lima pode ficar sem nenhuma credibilidade diante dos filiados da sigla, inclusive da Direção Nacional do DC.

A política em Rondônia envolve realmente casos que são pura comédia. Nas redes sociais, as pessoas aproveitaram a oportunidade para fazer inúmeras piadas sobre o fato, mas o presidente do DC de Rondônia não se manifestou até agora. No caso do DC, como não tem nenhum deputado federal, o DC não faz parte das siglas que recebem o Fundo Partidário. Então, a situação dos candidatos da sigla não será das melhores em 2026.

Entre Tapas e Beijos

O deputado estadual Rodrigo Camargo e o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, vivem uma situação que é muito comum em anos que ocorrem eleições. Cordeiro havia anunciado que era pré-candidato ao governo do estado pelo Podemos, partido liderado no estado pelo prefeito Leo Moraes. Em um evento público, Leo Moraes declarou que o prefeito de Vilhena era mesmo o nome do partido e confirmou a pré-candidatura. Alguns dias depois, o deputado Rodrigo Camargo usou a tribuna da Assembleia Legislativa para dizer que se filiaria ao Podemos e que "aceitava a missão de ser o candidato, já que o povo teria escolhido o nome dele".

Camargo não disse qual o foi o povo que escolheu o nome dele, mas disse que também teria o apoio do prefeito Leo Moraes para ser pré-candidato do Podemos. O resultado é que hoje o Podemos de Leo Moraes se movimenta, nos bastidores, para entrar no bloco de Marcos Rogério, o pré-candidato PL. Em recente entrevista na capital do estado, Marcos Rogério confirmou que "vive um namoro com Leo Moraes" e que espera fechar um acordo com o prefeito da capital. Como não renunciou ao cargo de prefeito, Flori Cordeiro está fora das eleições deste ano.

Quanto ao deputado Rodrigo Camargo, talvez consiga ser indicado como vice, já que ele assinou a filiação ao Podemos de Leo Moraes, mas não existe nenhuma garantia nesta direção. Muita gente pode acreditar que o namoro entre Marcos Rogério definirá a situação esta semana, mas é muito difícil isto acontecer. A decisão final será no mês de julho, ou mais precisamente em agosto. Como o prefeito de Porto-Velho já chegou a dar uma surra no senador em Brasília, pode dizer que se trata de uma relação "entre tapas e beijos", como diriam os sertanejos Leandro e Leonardo.

Saúde Básica

Nos últimos dois ou três anos, muitas pessoas de Cacoal, entre elas o ex-prefeito Adailton Fúria, costumam dizer que a saúde no município melhorou muito. A situação é bem diferente da propaganda, conforme as declarações da vereadora Amália Milani. Na semana passada, ela usou a tribuna da Câmara Municipal de Cacoal para dizer que está preocupada com a situação da saúde no município, já que, segundo a vereadora, Cacoal ocupa a 31ª colocação em qualidade de saúde básica no estado.

As informações prestadas pela vereadora realmente são preocupantes, porque ela tem um perfil muito sereno e dificilmente leva à tribuna assuntos que não foram apurados.

Além de exercer o cargo de vereadora, Amália Milani é médica e continua atendendo normalmente nas unidades de saúde do município. Há muitos profissionais, da saúde ou de outros setores, que pedem afastamento das funções públicas, quando passam a exercer mandato nos municípios. Não é o caso da vereadora. Ela segue normalmente sua rotina de plantões e ainda ajuda em ações sociais eventuais, quando é necessário fazer atendimentos médicos. Mesmo algumas pessoas que, antes da campanha eleitoral em 2024, faziam críticas à vereadora, hoje reconhecem que ela exerce um mandato com muita responsabilidade e sinceridade. Amália Milani não faz oposição sistemática e costuma votar favorável aos projetos que chegam da Prefeitura Municipal. Então, quando ela faz alguma crítica, é necessário que a administração municipal dê ouvidos e reflita.

Pagamento de Diárias

E já que estamos falando de saúde pública, o novo prefeito de Cacoal deveria dar uma olhadinha na situação dos servidores municipais que trabalham no transporte de pacientes de Cacoal para a capital do estado. O problema é que alguns desses servidores possuem diárias para receber desde o mês de setembro do ano passado e até hoje não receberam. O assunto foi levado várias vezes ao conhecimento da Secretaria de Saúde, mas nenhuma providência foi tomada e os servidores precisam receber seus direitos.

O próprio presidente do Sindicato do Servidores do Município de Cacoal, Fernando Neves, já cobrou da secretaria que resolva o problema, mas nada foi resolvido. As pessoas que trabalham no transporte de pacientes merecem respeito, porque passam horas e horas na rodovia 364, uma rodovia conhecida no país inteiro como muito perigosa. Não é justo que essas pessoas tenham tanta dedicação aos pacientes e fiquem sem receber suas diárias.

Uma das desculpas apresentadas pela secretaria é que a pessoa que trabalha no setor ainda está aprendendo, porque foi contratada após o concurso. É uma desculpa muito esfarrapada, mas tem o respaldo da presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Assim, talvez seja necessário que o novo prefeito entre em ação e resolva essa situação.

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