O mês de dezembro é sempre um mês muito esperado por inúmeras pessoas, em razão do clima natalino e das festas que culminam com a virada para um novo ano, mas também é um mês que traz muitos dissabores, especialmente para os professores, visto que a omissão, a desinformação e a estupidez de muitos pais acabam gerando uma carga excessiva de estresse. Geralmente, os problemas são ocasionados pelos pais que não possuem nenhum respeito pelos professores, nenhum respeito pela formação do caráter de seus filhos e nenhum respeito pela escola. Felizmente, os pais que agem dessa maneira não representam a maioria, mas representam um número suficiente para causar confusões que deveriam ter sido evitadas por eles mesmos. O grande problema é que esses pais, desde muito tempo, colocaram na cabeça a ideia de que os professores devem se adaptar à agenda de férias de cada família e se virar, para resolver os problemas de avaliações. Para essas pessoas, o Calendário Letivo das escolas não tem nenhuma importância; o que vale é a agenda de férias e passeio planejados por eles, sem nenhuma relação com a vida escolar de seus filhos. A legislação que trata do assunto também é completamente ignorada. A situação é vexatória e lamentável…
A Constituição Federal, em seu artigo 205, estabelece claramente que os pais têm o dever zelar pela vida escolar de seus filhos. É justamente esse dispositivo constitucional que ampara o artigo 55, do Estatuto da Criança e do Adolescente, e também o artigo 246 do Código Penal brasileiro. Não menos importante, está na lista da legislação a Lei nº 15.240, de 28 de outubro de 2025, sendo a mais recente no ordenamento jurídico, sobre a proteção que todos os pais ou responsáveis têm o dever de garantir aos filhos. Assim, não dá para negar a existência de normas que tratam da obrigação dos pais, em relação à vida escolar e seus filhos. Todavia, as pessoas que não cumprem suas obrigações e que ignoram a legislação são exatamente aquelas que aparecem na escola, somente uma vez por ano, no mês de dezembro, para fazer confusões, para promover a mentira, a calúnia e a desinformação contra os professores. Isso é uma vergonha, porque os professores passam o ano inteiro na escola fazendo, muitas vezes, até o papel de pais dos alunos que possuem pais vivos, moram com eles, mas que foram abandonados. E onde está o problema? Está na omissão e descaso praticados pelos pais, durante todo o ano letivo, em função da ausência e distância estabelecidas por eles, em relação à escola. Agora, com a existência do WhatsApp, muitos pais colocaram na cabeça que não precisam frequentar a escola e que basta caluniar os professores no zap dos diretores, orientadores supervisores…
Na prática, o que ocorre é que os alunos, filhos de pais ausentes, passam o ano inteiro sem cumprir as obrigações escolares. Quando chega o fim do ano, eles descobrem que suas famílias vão viajar e que eles precisam cumprir a recuperação. O que fazem esses alunos? Mentem para os pais que fizeram tudo que precisavam fazer, durante o ano todo, mas que foram “prejudicados” ou “perseguidos” pelos professores. Esta fábrica de mentiras, que é reproduzida e aumentada pelos pais irresponsáveis, produz uma quantidade impressionante de macunaímas. O filho mente em casa, porque sabe que terá a proteção dos pais; os pais mentem no zap dos diretores, orientadores e supervisores, porque sabem que esses profissionais não perderão tempo construindo na escola o Tribunal Escolar, que serviria para condenar os professores “perseguidores”. Para que se faça a justiça, nenhum diretor, orientador ou supervisor acredita nas mentiras contadas no zap pelos pais que não acompanham a vida escolar dos filhos. O problema é que, quando eles gravam áudios, vídeos ou escrevem mensagens e enviam aos membros das equipes gestoras, eles comentam em casa, na frente dos filhos, que “denunciaram” os professores e que os professores “vão se lascar”. Os filhos, filhotes de macunaímas, comentam com os colegas na escola, e a coisa se espalha pelos corredores. Que desserviço prestam os pais que agem assim na formação do caráter de seus filhos!! Que tragédia pedagógica!!!
Os professores, claro, acabam informados sobre o assunto pelas fofocas de corredores, espalhadas pelos alunos que são verdadeiros filhotes de macunaímas. Obviamente, e felizmente, essa prática, absolutamente reprovável, não atinge a maioria dos pais. A maioria comparece às reuniões e comparece sempre que a escola convida. Os filhos de pais que frequentam a escola, quando são chamados, possuem desempenho satisfatório e nunca comprometem as férias da família, e muito menos a paz dos professores. Os filhos dos macunaímas, logicamente, possuem desempenho insuficiente, possuem caráter duvidoso, criam o vício da mentira e estragam as férias das famílias. Em diversos casos, as mentiras contadas em um ano são exatamente as mesmas do ano anterior e os professores são sempre os “culpados”. Infelizmente, esses dissabores tendem a ser eternos, como também será eterna a produção de macunaímas. Essa, lamentavelmente, é a bola de neve da pedagogia da omissão… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado




