Eleições e Promessas no Carrinho

O povo anda atento nas ruas quentes,
Promessa voa alto como balão,
Discursos mudam conforme os ventos,
Mas pesa mesmo é no bolso do cidadão,
Enquanto sorri quem fala bonito,
A gasolina sobe sem pedir perdão.
No mercado o susto vem na prateleira,
O preço do ovo já virou inflação,
A dona de casa refaz a carteira,
Tentando caber tudo na condução,
E o carrinho vai ficando vazio,
Enquanto o discurso vem na televisão.
Tem gente que jura que tudo melhora,
Com plano mirabolante na mão,
Mas sempre empurram pra depois, pra fora,
A conta que vence no fim do mês, então,
E o povo que rala de sol a sol,
Segue pagando sem explicação.
Na esquina se fala de mudança urgente,
Mas ninguém explica a direção,
É tanta fala cheia de presente,
Que falta verdade na intenção,
E o litro que sobe no posto da esquina,
Confirma o peso da decisão.
O ovo que antes era simples comida,
Virou artigo de ostentação,
Já tem quem conte unidade por vida,
Guardando na geladeira com atenção,
E no meio da fala cheia de brilho,
Falta resposta pra população.
Tem riso em palanque e aplauso ensaiado,
Tem gesto bonito e muita emoção,
Mas quando termina o show preparado,
Fica a rotina e a inflação,
E o tanque vazio no meio da semana,
Mostra a verdade sem edição.
Prometem estradas, futuro e progresso,
Com voz firme e cheia de convicção,
Mas o trabalhador segue no aperto,
Fazendo mil contas na condução,
E o preço que muda da noite pro dia,
Desmente qualquer previsão.
Na feira o diálogo é sempre o mesmo,
“Subiu de novo?” — “Sem solução”,
O riso já vem meio que em protesto,
Mistura de fé e resignação,
E o voto que vem carregado de esperança,
Carrega também interrogação.
Tem gente que ainda acredita no novo,
Que algo diferente virá na nação,
Mas olha pro preço do pão e do ovo,
E pensa melhor na situação,
Porque entre discurso e vida real,
Existe um abismo na equação.
E assim seguimos entre promessas e contas,
Tentando entender cada eleição,
Com fé de que um dia as coisas se ajustam,
E caiba tudo no bolso do cidadão,
Mas enquanto o básico vira luxo raro,
O povo responde com reflexão.
Moiseis Oliveira da Paixão




