Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Léo Moraes troca gestão municipal por marketing digital e coleciona promessas
Vaidoso ao extremo, prefeito investe em imagem, mas enfrenta críticas por falta de entregas e problemas estruturais na cidade; Léo esqueceu de “fiscalizar” própria casa e pastor comissionado foi “passear” em ato de Nikolas

Só agá
Léo Moraes (Podemos) construiu, ao longo de um ano de governo, uma estratégia baseada em marketing digital e presença constante no Instagram. O prefeito soma mais de 200 mil seguidores e publica vídeos diários, enquanto enfrenta críticas por ter trabalhado pouco na prática e ter se dedicado muito na construção de imagem pessoal.
Só agá 2
Aliás, está bem claro que ele usa a estrutura financeira da prefeitura para promoção e publicidade pessoal. Ainda não foi penalizado criminalmente, porque é aliado dos órgãos controladores. A comunicação direta com a população virou o principal eixo do governo. O formato, porém, é limitado. O Instagram prioriza mensagens curtas e imediatas, o que impede a apresentação de informações completas, verificadas e de interesse público.
Só agá 3
O resultado é uma narrativa simples, centrada em promessas, sem espaço para explicações técnicas ou prestação de contas detalhadas. Enquanto a audiência cresce nas redes, parte da cidade segue distante do discurso oficial. Ruas alagadas, buracos, problemas na educação, falhas na segurança pública e denúncias recorrentes envolvendo a prefeitura fazem parte do cotidiano de Porto Velho.

Mundo dos sonhos
Para críticos, a realidade urbana contrasta com o conteúdo otimista divulgado na internet. A administração municipal também é acusada de apostar no “pão e circo”, conforme comentamos na última coluna. Shows de artistas milionários recebem recursos públicos que, segundo opositores, poderiam financiar um hospital municipal, moradias populares, escolas ou obras de pavimentação.
Promessas
Até agora, essas entregas estruturais não aparecem de forma concreta para o cidadão. Na área da saúde, promessas antigas seguem sem execução. O hospital municipal não saiu do papel. O concurso público da Guarda Municipal, o projeto do Expresso Porto e o alfandegamento do aeroporto não fazem parte da realidade dos moradores da cidade.
Promessas 2
As iniciativas se acumulam no discurso, mas não avançam na prática. Outro ponto de crítica envolve o distanciamento do prefeito da população. Léo Moraes circula com forte esquema de segurança, permanece pouco tempo em espaços públicos e raramente visita feiras ou áreas populares sem restrições de acesso.
Redoma
Para parte da população, isso reforça a imagem de um governo desconectado da vida cotidiana da cidade. A gestão também enfrenta questionamentos sobre cargos comissionados. Há relatos de salários elevados para funções pouco produtivas, enquanto servidores considerados técnicos e qualificados recebem remuneração baixa. A política de nomeações virou alvo constante de críticas e troca de favores.

Blá-blá-blá
Desde a posse, opositores afirmam que o prefeito ainda não apresentou um projeto próprio de governo. As poucas obras entregues são atribuídas à administração anterior do ex-prefeito Hildon Chaves, o que alimenta a percepção de continuidade sem protagonismo.
Alvo
Para críticos mais duros, a gestão se sustenta em promessas repetidas e narrativa digital. A comparação com personagens conhecidos pela mentira aparece no discurso popular como forma de ironia política. No balanço de um ano, a imagem cresce nas redes, mas a cidade cobra resultados fora da tela.
Cega da bolota
Não contente com tantas falácias, ele também faz o cidadão acreditar em pesquisas de opinião. Jogou no chão prefeitos de muitas capitais em desenvolvimento e se vendeu como o melhor prefeito do país. O que nunca foi e será verdade. Um falastrão perde para ele.
Sem fiscalização
Durante a semana, uma das polêmicas envolvendo mais uma vez a gestão Léo Moraes, foi o “passeio” para Brasília do pastor comissionado Jozinélio Muniz, em período de expediente. Isso colocou o prefeito no centro de questionamentos administrativos e políticos.

Sem fiscalização 2
Jozinélio deixou Porto Velho com destino a Brasília para participar de um ato político, mesmo sem registro público de férias, licença ou afastamento autorizado, segundo dados disponíveis no sistema da prefeitura.
Sem fiscalização 3
Nomeado em 01 de janeiro de 2025 na atual gestão, ele ocupa o cargo de assessor especial II, está lotado na Secretaria-Geral de Governo, cumpre 40 horas semanais e recebe remuneração mensal em torno de R$ 11.910,32. Os dados completos da folha de pagamento podem ser consultados no Portal da Transparência da prefeitura, no link oficial: https://transparencia.portovelho.ro.gov.br/el/folha-pagamento/10078560/2025/11.
Ato político
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o servidor em viagem por rodovia, usando faixa com as cores da bandeira do Brasil e a frase “Acorda Brasil”. A viagem teve como objetivo a participação em uma mobilização política da direita liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), em Brasília. Não havia nenhuma informação pública de que o servidor estivesse autorizado a se afastar do cargo.
Penalidades
Com a ausência iniciada numa quarta-feira e prolongada até sexta-feira, seriam pelo menos três dias úteis de falta. Pela legislação administrativa, a falta na sexta-feira implica também perda da remuneração do sábado e do domingo, o que eleva o total para cinco dias de desconto, caso não haja justificativa formal.
Penalidades 2
Sem se alongar muito para não se “enrolar”, a prefeitura divulgou nota oficial apenas confirmando que vai descontar os dias em que o pastor comissionado Jozinélio Muniz faltou ao trabalho para viajar para Brasília.

Histórico político
Jozinélio possui histórico recente de participação eleitoral. Ele já foi candidato a vice-prefeito de Porto Velho, na chapa encabeçada por Breno Mendes, hoje vereador e líder do prefeito Léo Moraes na Câmara Municipal. Nas eleições de 2024, também foi candidato a vereador, obtendo 935 votos. Aliados têm procurado páginas de notícias para ventilar seu nome como possível candidato a deputado estadual, o que reforça o caráter político da viagem.
E aí Léo?
O episódio não é apenas sobre a conduta de um servidor, mas sobre qual padrão de gestão será adotado pela atual administração. Resta saber se o prefeito entende que cargos comissionados podem se ausentar do trabalho para participar de atos políticos ou se irá exigir o cumprimento rigoroso do dever funcional. Se o discurso é de responsabilidade com o dinheiro público, a resposta precisa vir em forma de providência concreta.
*Esta coluna foi parcialmente escrita com informações do FatosRO, divulgadas no dia 24 de janeiro de 2026.
**Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.




