Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: OS PRÉ-CANDIDATOS, AS ELEIÇÕES E A LIBERDADE…
As circunstâncias que envolvem o processo eleitoral deste ano certamente vão criar um clima de constantes conflitos e, diferentemente de outros anos, esses conflitos começam bem antes do carnaval. Aliás, começaram no ano passado. Tudo isto em função do debate sobre o legítimo direito de escolhas que todos os partidos e eleitores têm, mas que nem todas as pessoas sabem respeitar. Curiosamente, a tentativa de intromissão no direito alheio parte, com muita frequência, daqueles que costumam vomitar a liberdade com os dedos, quando usam as teclas de seus computadores ou celulares para opinar sobre política nas redes sociais, mas não aceitam o diverso. O anúncio da filiação de Expedito Neto ao Partido dos Trabalhadores e a notícia de que ele é o pré-candidato do partido de Lula são a prova cabal de que a liberdade, nas terras de Rondon, é mera retórica mecânica ou eletrônica. O eleitor que declara ser de direita e declara ser liberal parece não saber o que significa ser de direita e menos ainda o que é ser liberal. E, mais, essa turma encontra enorme dificuldade de assimilar o conceito de democracia…
Antes do anúncio do nome de Expedito Neto, diversos outros nomes tinham sido anunciados como possíveis pré-candidatos de outras siglas e ninguém contestou nada. O eleitor mais progressista, especialmente, nunca tentou tirar dos eleitores da direita o entusiasmo com que comemoravam a divulgação de seus futuros candidatos. E não há mesmo nenhuma razão para contestar, porque todos os partidos possuem o legítimo direito de ter seus candidatos. E não importa o que pensam sobre política, porque Rondônia nunca foi um estado ideológico, no aspecto partidário. Menos ainda tem importância a suposta ideologia desses políticos. Basta lembrar que dois dos políticos mais identificados com o espectro liberal em Rondônia, Marcos Rogério e Sílvia Cristina, surgiram para a política rondoniense exatamente no PDT, o partido criado por Leonel Brizola. Mas hoje são idolatrados pelo eleitor dito de direita, como se fossem os mais puros defensores do liberalismo econômico. Marcos Rogério, por exemplo, durante muito tempo, fazia parte da base aliada de Dilma Rousseff, em Brasília. Silvia Cristina, outro “símbolo” do liberalismo econômico de Rondônia surgiu na política como afilhada de Acir Gurgacz, a mais notável liderança do PDT no estado. E qual o problema que existe nisso? Nenhum!! Isso representa apenas a liberdade de escolha das pessoas… E também revela a hipocrisia de políticos e eleitores de nosso estado!
O problema, o grande problema, é que são essas mesmas pessoas que hoje condenam o ex-deputado Expedito Neto, pelo fato de ter deixado o PSD de Kassab, partido que apoia todos os governos do país e ocupa diversos ministérios, e ingressado no PT de Lula, um dos raríssimos políticos que nunca teve outro partido. Luís Inácio Lula da Silva é o fundador do PT, sigla criada por ele em 10 de fevereiro de 1980. Assim, a única instituição partidária que tinha o direito de dizer um não a Expedito Neto é exatamente o Partidos dos Trabalhadores. Que disse um sonoro sim! E não há tanta dificuldade no fato de a militância do partido aceitar e abraçar a pré-candidatura, porque, em seus dois mandatos em Brasília, Expedito Neto nunca votou contra os trabalhadores. Ele e Mauro Nazif foram os únicos deputados de Rondônia que votaram contra a Emenda Constitucional que mudou as regras da previdência, por exemplo. Mudança que teve o apoio declarado de todos os demais deputados que compunham a bancada do estado e que trouxe graves prejuízos para todos os trabalhadores, sejam eles da esfera pública ou privada. Mas é claro que os algozes eleitorais de Expedito e do PT não querem lembrar disso. Eles preferem dizer que “não tem nada a ver Expedito entrar para o partido, porque votou a favor da cassação de Dilma”. Sim! Mas, e daí? A filiação de Expedito tem o aval e foi abonada pelo fundador do PT: Lula da Silva. Ainda que tivesse sido o único a votar contra Dilma, isso não tem mais nenhuma importância, porque o PT de Rondônia aceitou a filiação de Expedito Neto, e hoje ele é o nome cotado para entrar na disputa pelo governo de Rondônia. Provavelmente com o apoio da maioria dos partidos de esquerda do estado. Do outro lado, estarão todos os candidatos que se dizem de direita, apenas por oportunismo, por ser Rondônia um dos principais ninhos do bolsonarismo no mundo. E isso é democrático. Eles têm direito de dizer que são fieis defensores do ex-presidente, hoje recolhido em uma ala da Papuda, em Brasília…
A verdade é que muitos dos políticos de Rondônia adorariam ter a mesma liberdade de Expedito Neto e disputar a eleição pelo partido do presidente da república que mais obras importantes fez no estado. E por que não fazem isso? Porque não têm a liberdade que seus eleitores pregam apenas nos teclados, mas que condenam na prática. Para os seguidores do bolsonarismo, liberdade é pensar como eles querem, ou como determinam, não como tem que ser. Para eles, todo mundo deve ser livre, desde que votem nos candidatos que eles apoiam. É a forma mais hipócrita que existe de pregar a liberdade. Liberdade, para quem é progressista, é que cada candidato esteja filiado na sigla que escolheu e que o eleitor decida livremente em quem votar. Tentar criminalizar a liberdade de filiação partidária de alguém revela uma intromissão medieval. Expedito Neto tem o direito de disputar a eleição pelo partido que quiser. O resto e mera hipocrisia eleitoral… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor, Jornalista e Advogado




