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Coluna PONTO CRÍTICO – De coligado com o povo para o “pão e circo”, eis Léo Moraes mais do mesmo

Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

De coligado com o povo para o “pão e circo”, eis Léo Moraes mais do mesmo

Prefeito segue fazendo “auê” nas redes sociais, mas com pouca efetividade no dia a dia da população porto-velhense

Voltamos

Após alguns dias de descanso e marasmo no cenário político de Rondônia, voltamos. Com as baterias mais ou menos carregadas, mas prontos para comentar os principais assuntos políticos em ano de eleições, que prometem ser muito quentes em vários níveis. Cuidado com tudo o que veem na internet! A IA (inteligência artificial) será usada com força, especialmente para o mal.

Pane et circus

A expressão acima ainda surgiu na época do Império Romano, que comandava a parte direita do globo terrestre: principalmente, a Europa, parte Norte da África (como Egito e adjacências) e algumas regiões do Oriente Médio. E é óbvio que com tanta coisa para cuidar, haveria muitas e muitas falhas.

Pane et circus 2

Com tantas mazelas, os imperadores romanos tiveram a ideia brilhante de “distrair” a população com espetáculos abertos. Foram ali que surgiram as batalhas entre os gladiadores ou pessoas eram atiradas aos leões famintos para tentar sobreviver aos ataques. Tudo para que esquecessem as doenças ou o fedor de esgoto que corria livre em cidades como Roma e tantas outras.

Pane et circus 3

Também era feita a distribuição de alimentos, principalmente pão e vinho. Com a sociedade mais humilde de barriga cheia, embriagada e se divertindo, esqueciam dos “problemas cotidianos” e cobravam menos dos governantes. Apesar da cobrança de impostos (que aparecem em vários filmes) ser bastante violenta, causando prisões e até mortes.

Léo

Trazendo a história para Porto Velho, Léo Moraes tem um talento inegável: ele sempre sabe onde está o palco. Onde tem gente, microfone e aplauso, lá está o prefeito sorridente, performático e pronto para a foto. A gestão virou espetáculo itinerante. O problema é quando a encenação ocupa mais espaço que a solução. Governar a capital de Rondônia exige presença, ninguém discute isso. O que se discute é quando a presença vira política pública e a cidade vira figurante.

Léo 2

Enquanto o prefeito circula, a cidade tropeça. Rua esburacada, mato tomando conta, esgoto correndo a céu aberto e iluminação que pisca mais que promessa de campanha. Mas calma: teve show no fim de semana. A dona Maria, que ainda espera o caminhão do lixo passar direito, talvez devesse se contentar com o refrão.

Léo 3

A opção foi clara: política do evento. Porto Velho está sempre “acontecendo”. Sempre tem palco montado, atração confirmada, postagem patrocinada. Gera renda para alguns setores, sem dúvida. Hotel cheio, bar animado, ambulante vendendo. Só esqueceram de avisar que cidade não se sustenta de selfie nem se governa a base de som alto. O palco desmonta, a poeira baixa e o problema continua ali, firme, esperando a segunda-feira.

Léo 4

Outro detalhe curioso é a personalização extrema. Tudo gira em torno do prefeito. Secretários quase figurantes. Técnicos, então, sumiram do roteiro. Quando algo funciona, o crédito sobe direto para o palco principal. Quando falha (e tem falhado bastante) a cobrança também sobe, sem filtro, sem assessoria. E tem subido bastante.

Na coxia

Nos bastidores, o coro é menos animado. Servidor reclama de improviso. Morador reclama de demora. Vereador reclama de portas fechadas. Nada disso aparece no Instagram, mas aparece no ônibus lotado, na fila do posto, na rua sem asfalto. Léo Moraes decidiu não ser coadjuvante de ninguém, não entrou em projeto alheio, não construiu muitas pontes. Personalidade é qualidade.

Perdendo a paciência

Isolamento, nem tanto. Porto Velho pode até ser capital, mas não governa o estado sozinha e a política estadual cobra pedágio de quem passa sem conversar. O desgaste não vem de uma oposição afiada ou de grandes escândalos. Vem do básico que não anda. Da obra que empaca. Da promessa que derrete na primeira chuva. É o desgaste silencioso do cotidiano, aquele que não viraliza, mas corrói. É assim que a popularidade sangra: sem música de fundo.

Tem alguma “moralzinha”

Léo Moraes ainda tem voz, presença e capital político. Mas prefeito não vive de aplauso, vive de entrega. Cidade não quer espetáculo permanente. Quer solução permanente. Se o palco continuar maior que a prefeitura, Porto Velho vai aplaudir menos e cobrar mais. E cobrança, ao contrário da festa, não acaba quando o som desliga.

Oposição

Dia desses, houve um grande debate no grupo de WhatsApp Informativo RO, onde Samuel Costa, conhecido por ser de centro-esquerda, fez uma grande explanação sobre a administração Léo Moraes. Vou reproduzi-la na íntegra.

Oposição 2

“O problema de Porto Velho é estrutural e exige ações concretas, planejamento e seriedade. No ímpeto de ganhar as eleições, o prefeito Léo Moraes prometeu o impossível: resolver os alagamentos da cidade até dezembro de 2025. A realidade, porém, já começou a cobrar a conta.
Em poucos meses de gestão, o que se vê é a construção de um culto à personalidade, enquanto os problemas históricos permanecem”.

Oposição 3

“Sem autocrítica e sem mudança de postura, o amor de parte dos porto-velhenses pode rapidamente se transformar em frustração e revolta. Festas, marketing digital e sorteios de brindes não mudam a vida das pessoas. O povo quer ruas sem alagamentos, infraestrutura, dignidade e respeito. Narcisismo e individualismo não sustentam governo e, cedo ou tarde, derrubam qualquer gestor”.

Oposição 4

“O prefeito não é mais legislador, é chefe do Executivo, e o TikTok tem prazo de validade. Popularidade virtual não substitui políticas públicas eficazes. Não se trata de ataque pessoal, muito menos de estética. Trata-se de cobrança política legítima”.

Nocaute

“Estou apenas lembrando uma promessa feita no segundo turno: Léo Moraes afirmou que até dezembro de 2025 os alagamentos estariam resolvidos. Cobrar promessa de campanha não é perseguição. Passar pano, sim, é conivência”, finalizou de forma didática, Samuel Costa.

Censura

E para finalizar a primeira coluna do ano, com mais Samuel Costa, ele denunciou que “por motivos de força maior, a TV Norte, afiliada ao SBT, excluiu o vídeo sobre a manifestação dos professores em frente ao Prédio do Relógio, sede da Prefeitura de Porto Velho”.

Censura 2

Ainda de acordo com publicação no Instagram, Samuel indicou que “pessoas ligadas à gestão municipal afirmam que o prefeito teria dito que quem recebe mídia institucional está proibido de falar mal de sua administração. Os professores, técnicos educacionais e trabalhadores em educação seguem aguardando respostas. E fica a pergunta que não quer calar: cadê o dinheiro do FUNDEB que estava na conta da Semed?”, questionou ele.

Centralização

O erro de Léo ainda é insistir em ter os conselhos do vice-rei Anderson Parente. Ele que não entende nada de marketing, muito menos de bastidores políticos, ainda segue dando as cartas na prefeitura. Mais do que o próprio prefeito. Insiste em ser o “secretário oculto” de comunicação, enchendo a Secom de “apresentadoras” e esquecendo que comunicação é muito mais do que vídeos engraçados nas redes sociais.

Centralização 2

Além de Anderson ser o “conselheiro” de Léo, foi ele que “inventou” a história dos jetons pagos para todos os secretários e assessores especiais (incluindo ele), que estão sendo apurados pelo Ministério Público Estadual. E segue barrando ou aprovando pessoas que são nomeados em todas as secretarias e qualquer departamento municipal.

Dica

Se Léo quiser mesmo um novo mandato e até mesmo eleger o irmão Paulo Moraes Júnior, tem que começar a se mexer urgente, parar com autoritarismo e buscar o diálogo com TODOS. Se continuar centralizando as atenções da prefeitura, vai perder muito capital político e dar brecha para a administração anterior que sabia conversar mais do que a atual.

*Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.

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