Por Francisco Xavier Gomes
CACOAL: O CARNAVAL, A POLÍTICA E O FUTEBOL…
O ano de 2026 será um ano de muitas emoções, principalmente no estado de Rondônia, o segundo principal reduto do bolsonarismo no mundo. Nos próximos meses, teremos o Carnaval, a Copa do Mundo e as eleições, eventos que criam um clima de sensações inexplicáveis, embora muito comuns. Claro que esses eventos envolvem toda a sociedade e não será diferente em Nossa Urbe Obediana, município que é um dos principais polos da Amazônia. O Carnaval, convenhamos, não é o forte dos cacoalenses, e a Câmara Municipal já tentou até tirar esse feriado do calendário, numa evidente tentativa de causar enormes prejuízos aos trabalhadores. Quanto ao futebol e à política, o povo obediano adora. Assim, a camisa da Seleção Brasileira, que é símbolo da política e do esporte para milhares de cacoalenses, será o traje mais comum na Capital do Café, pelo menos até o mês de outubro. E, conforme os comentários que circulam nos bastidores políticos obedianos, o alcaide deve mesmo deixar o cargo e participar da disputa pelo governo de Rondônia. Neste caso, ainda que não tenhamos o carnaval em Cacoal, teremos eventos de piruetas de carro ou moto, que podem substituir os blocos e bailes momescos. Isso, somado à Copa do Mundo e às eleições gerais, torna-se um pacote cultural completo…
No caso do carnaval, já sabemos que não existe esse tipo de evento no município, porque habitamos um município eclesiástico. O único carnaval que existe há muitos anos na Capital do Café é o carnaval de diárias, protagonizado pela Câmara Municipal, cuja finalidade, na imensa maioria das vezes, é apenas a prática do turismo ou mesmo a complementação salarial, já que nossos vereadores cacoalenses recebem um salário de fome. Mas a farra de diárias também pode ser considerada como parte da cultura do município, porque já é uma coisa enraizada nos atos administrativos da edilidade há enésimos anos. Em Cacoal, mesmo de modo muito tímido, diversos grupos de amigos se organizam em clubes, chácaras ou outros lugares para brincar o carnaval. Essas pessoas utilizam as famosas marchinhas que compõem a história do carnaval. É evidente que daria para fazer um carnaval sensacional no Complexo do Arrancadão, usando apenas um carro de som e um pen drive com as marchinhas, mas o problema de não haver carnaval em Cacoal não reside na ausência de mecanismos técnicos; o problema é a influência eclesiástica exercida de modo rigoroso sobre todos os políticos do município. Assim, há espaço para fazer o carnaval, há bandas que poderiam fazer por baixíssimo custo, há pessoas que adorariam entrar na folia, mas não há interesse dos gestores, porque isso poderia incomodar os eleitores eclesiásticos, o que poderia ser um grande problema, num ano de eleições…
Aliás, a eleição deste ano tem tudo para ser mais emocionante do que a própria Copa do Mundo, porque o torcedor brasileiro já não alimenta mais aquela convicção de ter uma seleção competitiva. Isso sem falar que, daqui uns dias, logo após o carnaval, a imprensa nacional vai começar a encher o saco do treinador da seleção, exigindo a convocação de Neymar. E não precisa que o jogador esteja em grande forma, já que o jornalismo esportivo adora mimar o tal Neymar. Se o Brasil será ou não campeão de futebol, isso não é possível afirmar, mas logo depois da Copa do Mundo, os torcedores nem vão precisar guardar o uniforme. No caso de Rondônia, o uso da camisa da CBF não se resume ao futebol, uma vez que um número significativo de rondonienses também usa o uniforme da CBF no período de campanha eleitoral. Neste sentido, haverá muita gente com a camisa amarela pelas ruas, após a Copa do Mundo, mas os objetivos estarão divididos. E por que estarão divididos? Porque os eleitores de Ratinho Júnior, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Flávio Rachadinha e Pablo Marçal todos usam o mesmo uniforme: a camisa da CBF. Ao menos no primeiro turno das eleições, eles estarão divididos e devem voltar à unidade num eventual segundo turno. Claro que haverá também uma forte divisão no âmbito estadual, porque diversos candidatos que pretendem disputar o governo irão brigar pela camisa da CBF. Então, o segundo turno da eleição estadual, caso aconteça, também pode ser de muitas emoções e divisões. Mas o brasileiro já se habituou às divisões e não tem quem consiga consertar…
Mesmo diante desse provável cenário de emoções e possíveis conflitos, passado o carnaval, a Copa do Mundo e as eleições, tudo voltará ao normal no país. No caso do carnaval, tudo indica que, em Rondônia, haverá a folia somente em Porto-Velho e Guajará-Mirim, cidades que possuem forte relação com esse tipo de evento. Nos demais municípios, as pessoas até vão aproveitar o feriado prolongado de carnaval, mas muitas delas não saberão o porquê do feriadão. Além dos feriados prolongados oficiais, ainda teremos os dias de jogos da seleção brasileira. Na primeira fase, o time brasileiro terá três jogos, sendo que o segundo será numa quarta-feira e o terceiro jogo será numa sexta. Como as pessoas precisam se organizar para ver o jogo, tudo indica que esses dias serão praticamente feriados. Caso o Brasil avance para outras fases da Copa do Mundo, teremos a possibilidade de outros feriados ou pontos facultativos. E tem alguma coisa errada nisso? Obviamente que não! Isso tudo é parte da cultura brasileira e quem não gostar que se mude para outro país… Tenho dito!!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado




