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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: MÚCIO ATAÍDE, A ESPERANÇA E NOVO ANO…

Por Francisco Xavier Gomes 

CACOAL: MÚCIO ATAÍDE, A ESPERANÇA E NOVO ANO…

O início de um novo ano certamente traz uma série de expectativas para os brasileiros, principalmente por ser um ano em que haverá eleições gerais. No dia 4 de outubro, a população brasileira irá às urnas para escolher seus representantes. Em nível nacional, os brasileiros vão escolher o presidente da república, coisa que somente acontece nos países democráticos. Lógico que há muita gente tola dizendo que o Brasil vive uma ditadura, mas não devemos levar isso a sério, porque essas pessoas não sabem o que falam e não fazem a menor ideia do que seja uma ditadura. Em nível estadual, os rondonienses irão às urnas para escolher o novo governador ou governadora, dois senadores ou senadoras, 24 deputadas/deputados estaduais e 8 deputados/deputadas federais. Este ano talvez fique na história, por um aspecto bem curioso do mundo político: é, sem dúvida, o ano que traz as maiores indefinições sobre candidaturas ao governo do estado e ao Senado Federal. Justamente por esse componente, o eleitor rondoniense precisa ficar muito atento, para evitar os arrivistas políticos, embora eles sejam inevitáveis. Assim, surge aquele sentimento de esperança…

 O filósofo grego Tales de Mileto, que viveu antes de Jesus Cristo existir, teria dito, certa vez, que “A esperança é o único bem comum a todos os homens; porque mesmo aqueles que nada mais têm ainda a possuem”. Ainda que o grego não tenha feito tal afirmação, é difícil negar que esse pensamento seja aplicável, mesmo nos dias de hoje. O eleitor brasileiro é especialista em cultivar esperança. Aliás, esse sentimento é muito vivo nos rondonienses, porque até Múcio Ataíde já foi eleito em nosso estado. No ano de 1982, ele foi o deputado federal mais votado de Rondônia, sem nunca ter sido morador do estado. O rondoniense é assim! Ninguém consegue entender de onde saiu a ideia de que um indivíduo que não tinha nenhum vínculo com o estado pudesse ser o escolhido para o eleitor depositar sua confiança e esperança. Depois da eleição de Múcio Ataíde não se pode mais duvidar de nada em Rondônia… Se alguém disser que um boi saiu voando, provavelmente as pessoas não irão acreditar. Mas, se alguém disser que um boi saiu voando, em Rondônia, é melhor não duvidar, principalmente quando se trata de fenômenos políticos. Assim, considerando que o estado fez escolhas muito ruins em 2022, certamente há muitos eleitores que possuem a esperança de melhorar a situação. Os representantes de Rondônia na Câmara dos Deputados, por exemplo, são muito ruins, muito ruins mesmo! Talvez até Múcio Ataíde tenha sido melhor…

No caso dos representantes no Senado Federal, a esperança é que o estado não faça outras escolhas ruins como fez em 2022. Na verdade, é difícil imaginar que Rondônia tenha mais de um Jaime Bagattoli, mas, em 2022, o eleitor depositou suas esperanças naquele senhor. A única diferença entre ele e Múcio Ataíde é que o segundo morou em Rondônia somente no período de campanha, em 1982. Ainda bem! Este ano, teremos que eleger dois senadores. Aliás, é necessário que sejam realmente boas opções, porque o estado ainda ficará 4 anos tendo somente dois senadores, já que Bagattoli não representa nem ele mesmo. Estranhamente, grande parte dos eleitores de nosso estado vivem pregando o ódio contra Confúcio Moura. Coisa muito estranha mesmo, porque ele é o único senador que tem defendido efetivamente os interesses do estado, já que Marcos Rogério é defensor da família Bolsonaro, não do estado de Rondônia. As principais obras que chegaram a Rondônia são o resultado da atuação de Confúcio Moura. Uma coisa é criticar o senador de Ariquemes; outra coisa é admitir e reconhecer que ele é o principal responsável pelos grandes investimentos federais no estado. O problema de Rondônia é que o eleitor de nosso estado não tem muito interesse em analisar o histórico dos candidatos. Isso é que garante a eleição de indivíduos completamente despreparados…

Embora ainda haja grande indefinição, alguns nomes já são citados como pretendentes ao cargo de governador. Assim, resta saber em quem o eleitor vai depositar sua confiança e esperança, no mês de outubro. O vice-governador Sérgio Gonçalves avisou que será candidato; Hildon Chaves, o ex-prefeito da capital, também é citado como pretendente; Fernando Máximo anunciou que é pré-candidato ao cargo; Marcos Rogério é cogitado para o cargo; Adailton Antunes, o prefeito de Cacoal, anunciou que é pré-candidato ao governo. É possível que surjam outros nomes, mas, até este momento, são esses nomes que figuram nas pesquisas. Claro que é perfeitamente possível acontecer a eleição de um governador que tenha decidido entrar na disputa somente a partir de junho ou julho, assim como é possível a desistência de alguns desses que hoje se dizem candidatos. A partir de abril, algumas situações já estarão mais ou menos definidas, porque o mês de março será o mês da janela partidária. Lógico que isso não define o quadro de candidatos ao governo, mas esclarece alguns casos. Fernando Máximo e Marcos Rocha, por exemplo, são do mesmo partido. Resta saber se ficarão juntos na sigla. As mudanças de partidos podem indicar a formação de grupos, ainda que não indique os candidatos ao cargo de governador de modo claro. A situação também se aplica ao quadro político referente ao Senado da República…

A situação de Marcos Rocha talvez seja a mais indefinida. Há quem diga que ele deixa o cargo e entra na disputa por uma cadeira de senador. Há quem diga que ele fica no cargo, porque estaria magoado com seu vice e não quer abrir espaço, já que a renúncia de Rocha daria ao vice o controle político e administrativo do estado e mudaria completamente o cenário. Por outro lado, a permanência do governador enterra de vez as pretensões da sua esposa e irmão, já que eles ficariam impedidos de disputar, em razão do grau de parentesco. Concretamente, a única coisa que podemos dizer, com certeza, é que as indefinições darão lugar à esperança, logo após o carnaval, mas a possibilidade de novos múcios ganha força em agosto, setembro e outubro… Feliz Ano Novo!!! Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor, Jornalista e Advogado



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